Nikolas Ferreira, CPMI do INSS e as denúncias envolvendo igrejas
As investigações da CPMI do INSS, que apuram descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas, avançaram para um campo sensível ao envolver possíveis conexões entre instituições financeiras, entidades religiosas e lideranças políticas.
Em declarações públicas, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), integrante da comissão, afirmou que documentos analisados indicam a existência de esquemas de lavagem de dinheiro que teriam utilizado igrejas evangélicas como parte do fluxo financeiro.
No centro da controvérsia está o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), citado por sua proximidade política com pessoas e grupos investigados. Segundo Correia, a decisão de Nikolas de realizar uma caminhada simbólica de Minas Gerais até Brasília, em defesa da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, teria servido para desviar o foco das investigações.
A CPMI também apura a atuação de entidades intermediárias criadas para realizar descontos automáticos em benefícios previdenciários sem o consentimento dos aposentados. Esses recursos, de acordo com as denúncias, teriam sido posteriormente redistribuídos para igrejas, empresas financeiras e outros setores.
Entre os casos mencionados está a Igreja Batista da Lagoinha e sua relação com empresários ligados ao Banco Master, instituição que também é alvo de investigações. Parlamentares afirmam que há vínculos financeiros e institucionais que precisam ser esclarecidos por meio da quebra de sigilo bancário e fiscal.
Parte das informações obtidas pela CPMI foi retirada da comissão por decisão do Supremo Tribunal Federal, o que gerou reação entre parlamentares. Mesmo assim, pedidos foram encaminhados a outros órgãos, como o Banco Central e a Polícia Federal, para aprofundar as apurações.
O caso reacende o debate sobre a relação entre fé, política e interesses econômicos. Parlamentares envolvidos ressaltam que o objetivo das investigações não é atacar a religião, mas apurar o uso indevido de instituições religiosas em práticas ilícitas.
As denúncias ainda estão em fase de investigação e não representam condenação judicial, mas já produzem impacto político e pressionam figuras públicas a prestar esclarecimentos à sociedade.